Mal o folhetim estreou e o telespectador já foi bombardeado de pitadas panfletárias de direita. Afinal, para tentar influenciar nas opiniões próximas das eleições e diminuir o número de prefeituras de esquerda, a Globo não poupa tempo. Talvez dinheiro… A novela que seria ambientada estrategicamente em Brasília não fossem os custos com a produção na capital federal, é gravada em São Paulo. Atitude louvável do ponto de vista de quem se deparava todas as noites com o Leblon, o Pão de Açucar e Copacabana há alguns anos.
Rola pela internet que a nova novela tem o apoio financeiro da Aracruz e da Votorantim. O que não é de se duvidar afinal, a trama gira em torno do império da celulose através de umgrande empresário (Mauro Mendonça) que teve um passado de esquerda em sua juventude e hoje está ainda longe daquele caráter ganancioso e frio dos típicos dirigentescapitalistas que a Globo já apresentou. Sua esposa, a atriz Glória Menezes é um humanitárias cheia dos projetos sociais em benefício dos “necessitados”. Lá vem o papo de responsabilidade social da iniciativa privada novamente…
E que é o inimigo íntimo do empresário? Tarcísio Meira que faz um personagem chamado de “Copola” típico sindicalista sujo, pobre e agitador. Homem que no passado disputou com o personagem de Mauro Mendonça o “amor” da personagem de Glória Menezes e perdeu. Ontem, já na primeira investida dos sindicalistas da empresa de celulose, Tarcísio Meira cai e tem uma fraqueza transparecendo de alguma forma que a luta já não é mais para sua idade. Afinal, em diálogo, o grande empresário argumenta: “O muro de Berlim já caiu há quase 20 anos! Chega disso!”.
Outro fato é no momento em que Lara, personagem de Mariana Ximenes ganha um belo cavalo de seu avô, o tal imperados da celulose. “Viu, até você que é de esquerda aceita admite os grandes prazeres capitalistas!” - diz o avô. E logo depois de um argumento leviano da personagem, ele segue: “Na juventude todo mundo é de esquerda, isso passa…”
E o personagem de Milton Gonçalves? O Deputado que quer se eleger pela 3ª vez e depende se seu pobre e miserável eleitorado…No primeiro discurso, as gesticulações e as palavras idênticas ao discurso de Lula são até exageradas. E as estrelas amarelas distribuídos no material do candidato?
O bom foi saber que o primeiro de capítulo da novelinha refletiu a pobreza progressiva do ibope das novelas globais: “caracterísitcas das superproduções na estréia, a emissora quebrou sua tradição de exibir cenas típicas de uma superprodução, daquelas de hipnotizar o público com pirotecnias, imagens aéreas ou personagens em cenários luxuosos no exterior. Tudo foi muito pobrinho para o padrão de uma novela das oito.” - Folha de Sâo Paulo On Line
Enfim, muitos teóricos da comunicação dizem que é uma visão ultrapassada achar que a mídia manipula as pessoas e que isso ainda é muito baseado nos princípios da Escola Frankfurtiana, mas os grandes meios de comunicação ainda não desistiram…
Desligue a tevê e faça algo produtivo!